[Especial Clássicos da Literatura] Resenha: Memórias Póstumas de Brás Cubas


"É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis." 


 
Nome: Memórias Póstumas de Brás Cubas 
Autor: Machado de Assis 
Editora: Martin Claret  
Lançamento: 2007 
Páginas: 194 
ISBN: 8572322949













"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas".




Devido á vida de estudante, este como vários outros, que já havia lido, tiveram de ser relidos. Não sou metida a intelectual, alguns clássicos da literatura me comovem, outros me fascinam, uns me irritam, outros não tenho paciência para ler, e Brás Cubas me envolveu de tal forma, que senti todas essas sensações. 

Personagens bem escritos, onde mesmo com uma narrativa um tanto confusa, e com linguagem de época, que para quem acaba não tendo costume de leitura, pesa um pouco e acaba demorando. 

Li Memórias 3 vezes, uma vez para uma peça, outra para uma prova, e novamente, ah, pelo simples prazer de ler.

Inicialmente, o livro é cansativo, até porque começa digamos, que de "do fim para o início", onde primeiramente Brás relata sua morte, até o início de sua infância. 
Passando por suas desilusões amorosas, primeiro com a cortesã Marcella, até o caso extraconjugal de Virgília. Sua descrença com a linda jovem moça, Eugênia, pelo simples motivo da mesma ser coxa. Como ele mesmo descreve, linda e coxa, coxa e linda. 

"Como linda se coxa, como coxa se linda" 

Preconceito de sua parte é claro, o qual ele mesmo ironiza por sua pessoa. Mas calma, se o livro vai a partir de sua morte, a sua infância, e ele narra, ele é um autor-defunto? Não, mas sim, um defunto-autor, pois narra sua autobiografia, após sua morte. 

O livro, ironiza pela vida de Cubas, a própria sociedade de época, mesquinha,mandonista e machista. Narrando as derrotas de Brás, seus altos e baixos, na maior parte, ou se bem dizer, seus baixos, já que poucos foram os curtos momentos de altos. 

Não se casou,não se tornou ministro,não criou o Emplasto, não teve filhos... Morreu só, pagando um "amigo" para falar em seu enterro. Ah quem dirá vida de Brás, só,relutante e cego pelo desejo de sucesso, quem dirá a falta de competência, e a alta mediocridade que lhe deram um péssimo momento de deputado. 

Uma verdadeira obra, de grande júbilo nacional, a qual levou a prosa romântica nacional, ao mais alto nível, destacando nossas obras, como as melhores, grandiosas. 

Em momentos como os quais, Quincas, amigo de infância de Brás, que sempre foi mimado por seus pais se vê dormindo no 3°degrau de um escadão, satirizando o positivismo de época, onde características nacionais não se perdem, e diante de valores, os tais do personagem perdidos ao longo de sua vida, devido á criação, é narrado pelo próprio Brás. 

Uma grande obra, como várias outras, não é a melhor de Machado de Assis, mas de feliz leitura, seja obrigatoriamente para vestibular, ou apenas por ler! 

Boa Leitura :)
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