[Nova Parceria] Autor de As Flores do Ruanda- Adelson Correia



"De 06 de abril a 10 de julho de 1994 ocorreu em um pequeno país centro-africano chamado Ruanda uma matança indiscriminada de milhares de indivíduos da etnia tutsi perpetrada pelos hutus com os quais convivem. As Flores do Ruanda é um romance que relata a épica jornada de um ano de duração de uma médica americana, Dra. Isabelle, inserida em um contexto hostil de guerra civil a serviço da Cruz Vermelha Internacional. O seu contato com os pigmeus africanos denominados twas nos apresenta este povo sofrido que, sem ao menos perceber as razões da matança generalizada, foi impiedosamente chacinado. Expulsos do Ruanda pelos hutus, os tutsis se organizam no exílio do Uganda e fundam a Frente Patriótica Ruandesa, grupo guerrilheiro armado que invade o país a partir do Norte, em busca da retomada do poder político central. Este esforço demanda intensas contendas e batalhas sangrentas, motivando a retaliação hutu por meio do genocídio ruandês, que visou o extermínio da etnia opositora."






 Livro:  As Flores do Ruanda
Autor: Adelson Correia 
Editora: Publicação Independente 
Lançamento: 2011 
Páginas: 427
Skoob



Olá leitores!

Hoje trago mais um autor parceiro do B&T
O escritor Adelson Correria autor do romance "As Flores de Ruanda", funcionário público e administrador de empresas, escreveu seu romance em 2011, além de outros livros, como uma antologia em conjunto com outros contistas. 

Confiram uma pequena entrevista com o autor:
Adelson Correia  
Blog do Autor 
Blog do Livro 
Skoob

B&T | Olá Adelson, fale um pouco de você para seus leitores.

Adelson: Falar de si mesmo é difícil, mas vamos lá: sou geminiano, de meia idade, pai de duas garotas, Carol de 12 e Sacha de 23, no entanto, moro só; eu e o ócio residencial que me dá a tranquilidade para ler e escrever à vontade, sem distrações, exceto por uns chatos latidos do cachorrinho da vizinha, quando a ração rareia acolá. Sempre fui curioso acerca da diversidade do mundo à minha volta. Esta estupefação em relação ao universo material, social e psicológico, além de gerar-me uma cara de nerd ou de pirado inofensivo, fez-me estudar muito até adquirir um verniz de conhecimento geral — sei um pouquinho de tudo e nada ao todo — necessário à formação multidisciplinar de um escritor. Sou Administrador de Empresas nos Correios e Telégrafos, funcionário público federal, porque viver apenas da letra é para poucos. 

B&T| Conte-nos um pouco de como e quando começou a escrever.

Adelson: Sempre gostei de escrever, mas somente criei coragem de elaborar textos literários quando me julguei minimamente conhecedor das regras da língua portuguesa. Não dava para ser escritor na burrice em que crescia. Percebi que tinha dom para escrever, por meio das redações em sala de aula, em tenra idade, mais ou menos, quando troquei os carrinhos pelas garotas.

B&T| De onde tirou inspiração para escrever este romance? 

Adelson: A partir de julho de 1994, começaram a aparecer nos noticiários televisivos do Brasil, reportagens chocantes sobre os campos congoleses de refugiados do genocídio ruandês. Imagino que à época em que William Bonner era menor estagiário na Globo. Imagens de crianças à míngua me cativaram e escrevi um conto, em forma de protesto contra toda aquela covardia. Se não tinha bala para encaminhar à testa dos brutos, mandei texto nos malvados. Intitulava-se “Chope no Lebron”. Deixei-o quieto por muito tempo. Passei os anos da juventude submisso à tentação do credo materialista vulgar, até meados de 2008, quando uma gripe forte e mal-cuidada, ao me aproximar de Deus, fez-me obediente e culto de uma hora para outra. Resolvi, então, saborear o tal do “Chope no Lebron”, de novo, na esperança de refazê-lo, entre outros textos, como terapia contra a abstinência das tentações de outrora ainda vividas n'alma latejante. Para melhorar-lhe a qualidade literária, tive de buscar mais informações sobre o genocídio ruandês que não dispus em 94, época em que a internet era restrita aos meios científicos. Deparei-me com uma imensa fonte de dados sobre a catástrofe ruandesa e percebi que, num mero conto, não caberia tanto assunto. Daí, a razão do surgimento do romance “As Flores do Ruanda”, cujo gênero literário impôs-se à limitação do conto.

B&T| Conte-nos um pouco sobre seu romance "As Flores do Ruanda". 

Adelson: As Flores do Ruanda é um romance que conta as aventuras de uma jovem médica americana no Ruanda a serviço da Cruz Vermelha, Dra. Isabelle, uma pobre azarada que, sem querer, meteu o bedelho onde e quando não devia: o período do genocídio ruandês, catástrofe humana de proporções épicas. Paixão, solidariedade, guerra, perdão, expiação, renúncia, ódio, intolerância e heroísmo formam um fluxo principal engrenado na sequência narrativa do livro. Trata-se de um romance que traz a compreensão do desencadear dos eventos que motivaram o conflito e onde é dada voz aos principais agentes envolvidos: FAR (Força armada ruandesa), Interahamwe (Milícia civil sanguinária), FPR (Frente Patriótica Ruandesa), Igreja, França, Bélgica, Estados Unidos e ONU. Pela ação dos personagens entendemos as relações entre as três etnias envolvidas na guerra civil, hutus, tutsis e twas. Ao adquirir-se o livro, paga-se por um produto e leva dois: literatura e história concomitantes.


B&T|  Teve algum tipo de dificuldade para publicação do livro? Optando pela publicação independente. 

Adelson: Não tive dificuldade para publicar este livro, pois optei por uma produção independente e mais palatável no meio editorial. Adquiro da editora o livro a baixo custo e revendo pelo preço de capa, ganhando a diferença. Na realidade, poucos vendo. A maioria eu dou como forma de divulgação. Sinto prazer em ver as pessoas, após lerem as “Flores do Ruanda”, tecerem elogios. O que a Lp-Books vende é dela, pois não assinei contrato que, por exemplo, me daria uns 10% do preço de capa sobre cada livro vendido. E por que não quis assinar? Para não me ver obrigado a uma proposta que não me seduz; por acreditar na qualidade deste romance e para estar sem amarras ao negociar os direitos autorais, principalmente de traduções, com uma editora maior, após o livro ficar bem conhecido. De início, expus parte do texto no site Mesa do Editor e recebi convites para publicação. Foi só escolher a proposta mais interessante. A minha meta principal é chamar a atenção de uma editora de língua inglesa, com vistas à tradução e incorporação da obra no mercado externo. Como o tema de “As Flores do Ruanda” é o genocídio, compreendo que, para os brasileiros, é incomum, mas não para sociedades com interesse e visão global do mundo mais presente na sua cultura. Dá para perceber que, até então, tenho tido só despesas; sendo otimista, as vejo como investimento de provável retorno.

 B&T| Porque escolheu um cenário Africano para plano de fundo e tema de seu livro? 

Adelson: Ao iniciar As Flores do Ruanda não tinha grandes pretensões literárias. Escolhi um tema que era próximo ao meu conhecimento à época em que o escrevi. Não o fiz seguindo um modismo literário, pois “As Flores do Ruanda” era-me um assunto imediato sem maiores aspirações. Após pronto, cuspido, lambido e revisado 1, 2, 3, 4... n-vezes, percebi que é um livro com qualidade suficiente para pleitear notoriedade.


B&T|  Agora, o que você diz para seus leitores, que querem entrar no ramo literário? 


Adelson: O conselho principal é para buscar constantemente a melhoria e, usando um lugar-comum atual, a excelência. Estudem muito criação literária, gramática e leiam bons autores sempre. Procurem o seu foco, o que tiverem de mais natural ao escrever e não sigam por modismos, pois é melhor escrever bem para poucos que mal para muitos. A pior sensação é perceber que o leitor, ao terminar seu livro, mostra-se indiferente e, sem um comentário elogioso, esquiva-se pelas prateleiras. O mercado é muito seletivo e, um dia, cobra a fatura de quem não se prepara e lança livro por lançar, carente de cuidados prévios necessários. Livro ruim que vende muito empurrado pelo marketing literário tem vida curta e morre de verdade, não deixando vestígios na história da literatura. Livro bom é livro eterno. Relacionem-se, por meio de blogs, mídias sociais, pelo Skoob e encontros literários na sua região. Para sobreviver, ao menos no início, procurem não depender, exclusivamente, da literatura: em paralelo, participem de concursos públicos, tentem outras profissões ou montem um negócio, pois, no princípio, a vida do escritor é de gasto e de algumas decepções. Ser escritor, em si mesmo, é difícil. Se eu tiver a ventura de reencarnar, se possível, serei cantor, não escritor. De mp3 em punho ou de gogó afiado, solto a voz numa praia e todos me ouvem. Por outro lado, ser lido depende da vontade do destinatário da mensagem. O livro não faz o barulho imperativo da música. Como em um videogame vocês irão vencendo as fases. Não se pressionem pelo reconhecimento público imediato. Muitos escritores fazem sucesso, justamente por serem bem sucedidos em outras áreas de atuação. Acima de tudo, escrevam por prazer. Só faz bem o que bem se faz.


Muito obrigada pela entrevista, e pela confiança no blog para esta parceria!
Te desejo muito sucesso com seu livro.  

Então é isso leitores, em breve resenha do livro "As Flores do Ruanda" !
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